
A Flor da Coxilha chegou até nós antes de existir. Havia uma ideia, uma vontade e uma dor que as sócias conheciam de perto: elas vivem o tradicionalismo e não encontravam semijoias de qualidade com facilidade, muito menos reunidas num lugar só.
Queriam criar esse lugar para a mulher gaúcha contemporânea, aquela que quer honrar as próprias raízes e se reconhecer numa estética atual.
Na fase de Descoberta do Método Sincronia, olhamos para o mercado antes de pensar em qualquer desenho. O padrão se repetia: peças boas espalhadas entre marcas parecidas entre si, com os mesmos motivos, a mesma linguagem e pouca consistência visual. Quando tudo parece igual, o preço decide, e a sofisticação do produto se perde.
Conduzi o projeto, e o primeiro receio das sócias apareceu logo no início: elas achavam que precisavam de um estoque grande, com muitas peças e muita variedade, para serem levadas a sério. Ao longo do processo, essa ideia foi mudando. Elas perceberam que a sensação de escassez podia trabalhar a favor da marca.
Transformamos o estoque reduzido em posição. A Flor da Coxilha assumiu o papel de curadora, escolhendo materiais, cores e formatos com intenção e chegando antes nas tendências do tradicionalismo. Para a cliente, isso se traduz no que chamamos de Tradição com Assinatura: uma peça que poucas pessoas vão ter, escolhida por alguém que entende do assunto.
A outra parte da resposta estava na identidade. Um negócio pequeno pode chegar ao mercado com a presença de um grande quando a identidade visual e os pontos de contato estão à altura.
O logotipo foi desenhado à mão, para que a marca tivesse exclusividade e personalidade desde a primeira letra. Um detalhe que pouca gente nota de primeira: nos espaços em branco do H, do X e do R, o desenho forma uma folha.
O símbolo nasceu do Brinco de Princesa, flor símbolo do Rio Grande do Sul. Desde os primeiros estudos, ele foi pensado para sair da tela: traços mais espessos para resistir à redução, simetria de pingente e proporções que funcionam em metal.
O mesmo desenho serve de avatar numa rede social e pode ser cunhado numa peça. Com isso, a própria marca ganhou a possibilidade real de virar produto.
O posicionamento da marca foi resumido em uma frase: “Fortalecer a presença da mulher gaúcha através de uma estética que acompanhe sua evolução e honre suas raízes”.
Com ela, as sócias ganharam um argumento que funciona em qualquer conversa de venda, e passaram a apresentar a Flor da Coxilha pela evolução estética que ela propõe.
O momento que melhor resume o projeto aconteceu na entrega. Diante das embalagens prontas e do símbolo aplicado em relevo, Michele Martelet, uma das fundadoras, disse:
“Com um trabalho impecável de marca desses, hoje eu já nem penso em revender. Vale a pena investir numa autoria. Essa marca tem que ganhar o mundo.”
A Flor da Coxilha chegou como uma ideia de revenda. Saiu com uma marca à altura de uma linha própria, e com vontade de chegar lá.